Pequim 2008 – Um Mundo, um sonho
Publicado na coluna Editorial em 31 de August de 2009

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Muitas pessoas questionam as Olimpíadas, dizem que é perda de tempo, que tem muita gente com fome do mundo e que não faz sentindo toda essa festa e desperdício de dinheiro coisa e tal. Eu vejo essa manifestação contrária com olhos muito críticos. As pessoas tendem a ter visões muito egocêntricas do mundo, como se todas as outras pessoas do mundo, e não são poucas, devessem agir em prol de uma única atitude. Muitos querem salvar os animais, outros acabar com a fome, alguns uma suposta libertação de sua etnia. A principal bandeira dessa Olimpíada vem justamente confrontar isso, uma Olimpíada que quer nada além de Harmonia.

As Olimpíadas são sim  uma festa linda e absolutamente necessária. Vocês por acaso conhecem alguma tradição que englobe tantas pessoas e nações? É o mais próximo que chegamos da tão sonhada união mundial. Não devemos descaracterizar essa festa, muito menos criticá-la, nada de ficar querendo se lembrar de todas as mazelas do mundo, existem horas para se comemorar e horas para se lamentar. Todo mundo sabe que existe um lobby muito grande por trás da festa, que sediar uma Olimpíada é quase um golpe político e diversos outros blá blá blás, mas e daí?

Ah! Mas é uma puta hipocrisia ir lá ganhar medalha num país que escraviza o Tibet! Você não tem consciência sócio-política?

É claro que tenho, e é por isso que penso muito antes de falar uma besteira dessas. Porque é muito fácil ficar com peninha de uma minoria aqui e acolá, difícil é procurar entender a complexa situação daqueles povos. Nos entender é fácil, achar que estamos certos também, o outro e suas vontades são passíveis de exclusão.

Pensem mais um pouco, a China é um país lindo, dono de cultura e história magníficas, não vamos esquecer as coisas boas por causa das coisas ruins, é muito melhor discutir cada qual no seu devido tempo. E lembrem-se que deve ser muito absurdo, para alguns, que as Olimpíadas possam ser sediadas em 2016 em um país que vive uma guerra civil nos morros de uma das suas principais cidades.

Um mundo, um sonho? É possível. Começa por você, passa por mim, termina por eles, nada mais justo. Aquele velho gordinho chinês já dizia: Harmonia.

Produzido e publicado por Alan Miranda de Freitas

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