
Querido Papai Noel,
Não tenho mais idade para acreditar que o senhor exista, mas tampouco cheguei a perder toda a esperança. Ora, veja bem, sou cético e um tanto quanto magoado com as falsidades do mundo, mas, ainda sou capaz de pensar que certas coisas são melhores como inverdades.
Não fui capaz de assumir o vício dos que se julgam inteligentes, não me julgo capaz de matar Deus, muito menos de criá-lo. Sou só mais humano que prefere viver a própria concepção de realidade. E eu sinto dizer, Papai Noel, que o senhor não existe nessa minha realidade.
Porém, acredito que muito mais que a própria fé, é a descrença que constrói; já que é justamente a distância que nos faz perceber a falta que, o que nós nos distanciamos de, faz. Sendo assim, decidi acreditar por um breve momento. Não no senhor, claro, já que há muito tempo perdi a doce inocência. Mas acreditar sim no que o senhor deveria representar.
Por um momento deste ano vou acreditar piamente na bondade, na confraternização e no entendimento; vou acreditar na celebração da boa vontade, no prenúncio de que bons tempos estão por vir e que finalmente seremos irmãos. Deixarei de lado a minha face ranzinza de quem está descrente no próximo, e trarei o sorriso da compreensão. Acreditarei, e mesmo que seja só um pouco, tenho certeza que me renovará o suficiente para mais um ano de vida. Já se foram mais de vinte, e já me sinto tão cansado.
E é por isso, Papai Noel, que diante da minha pequenez, eu peço à sua grandiosidade, que só a fé pode mensurar, a permissão de viver mais esse Natal, e que, ainda que seja somente por essas poucas horas, eu possa estar ao lado das pessoas que amo, que juntos tenhamos momentos de paz, harmonia e do mais puro e simples amor. Peço apenas por isso, pela minha família, por todas as outras e nada mais, pois somente na família podemos existir, e fora dela somos nada.
Repito que, como cético, eu não acredito, mas como ser humano, e repleto dessa humanidade, me dou o luxo de ter fé, de acreditar.
Obrigado, e tenha o senhor, também, um Feliz Natal.
Plágio é crime e está previsto no artigo 184 do código penal. Conheça a Lei 9610














