Nós, jovens, matamos a juventude. Matamos a pura essência da etapa que deveria nos formar e não, como é agora, limitar. Somos sombras pálidas de um fogo que deveria arder intensamente – e até insanamente – em nossas vidas, mas que se cala brando e conformado em seu cotidiano.
Perdoando o pleonasmo, somos filhos de nossos pais. Filhos de uma geração que nasceu no berço da democracia constituída e do mercado livre com seus ciclos de milagres e desastres econômicos. A maior revolta de minha mãe era ser proibida de namorar na rua; de meu pai, foi não poder pegar, sempre, emprestado o carro de meu avô. Foro íntimo sempre era a única questão.
Há de se entender que o núcleo da sociedade não é a comunidade ou um grupo, e sim o indivíduo. Porém, qual bem advém da extrapolação do indivíduo sobre o bem comum e a própria vida em sociedade? Nada além do egoísmo, da soberba e do imediatismo nasce desse processo. A nova juventude é assim: egoísta. É adepta de uma distorção conveniente do carpe diem, e reflexo de seus próprios desejos. Sobrou apenas a não-causa e morreu a rebeldia engajada – para o bem ou para o mal –.
A nova juventude é a passividade inexpressiva e impetuosa de Baco. Vivemos nossa rotina festiva, tão pobre em emoção, somos principezinhos entediados de seus muitos amantes e prazeres, e isso nem é privilégio das classes médias e altas. Ou alguém se convence que o já tradicional baile funk não é há muito tempo uma manifestação pura e banal de ociosidade e tédio? Tanto é que se tornou amplamente frequentado por boyzinhos, todos eles membros da high society.
É triste o panorama dessa sociedade onde A-PE-NAS meia dúzia de jovens concentra sua efervescência hormonal em odiar alguma coisa, querer mudar, revolucionar enfim. O dever de todo jovem é mudar o mundo. Não se pode viver numa sociedade estática e conformada. É preciso que se revolucione a literatura, as cores das bandeiras, o guarda-roupa, a arte, a filosofia, o videogame e a internet. É preciso abandonar o ostracismo das idéias e a utopia dos discursos. Tudo isto é coisa de velho, e ninguém deseja viver uma maturidade arrependida e frustrada.
É preciso ter a sabedoria de que o debate é o caminho para qualquer solução, seja um pouco sério demais ou louco de menos. Não se pode levar os estudos tão a sério, mas tampouco levar a vida na brincadeira. A graça de ser jovem é ser singularmente ambíguo, não podemos abrir mão de nossas dúvidas e certezas. Jamais devemos nos deixar ser reféns de uma ou duas verdades e se esquecer de forma alguma que a essência da liberdade é ter responsabilidades.
Somos uma juventude chata e parada, desacreditada por nós mesmo. Somos uma mentira bem contada, preguiçosos e egocêntricos. Dessa forma não teremos outro destino que não a autodestruição. Resta à sociedade esperar que pelo menos alguns poucos despertem para a sua função motora do mundo; que alguns se lembrem que ser jovem é sinônimo de crescimento próprio e conjunto.
Plágio é crime e está previsto no artigo 184 do código penal. Conheça a Lei 9610
27/01/2010 às 10:58 am
Para alguns as palavras ditas calmamente não surtem o efeito desejado, para que se chame a atenção deve-se berrar lhe aos ouvidos a maioria e ociosa. Mas a uma minoria agindo sutilmente e conquistando espaço e respeito e o mais importante realizando mudanças, mudar algumas regras do “jogo” é perda de tempo, o negócio e as usar a nosso favor.
















17/01/2010 às 2:51 am
Concordo com a crítica. Mas penso que você poderia propor algum tipo de solução para a questão.
Não é difícil encontrar “principezinhos” que escrevem e discutem muito bem – do conforto preguiçoso de seus lares, desfrutando da sua capacidade adquirida de parecerem diferentes sendo exatamente iguais a todos os outros!
É preciso compreender o mundo nos moldes em que ele se precipita hoje, atribuindo aos jovens meios diferentes de transformá-lo.
E como você disse, é preciso entender o indivíduo. O que sabemos sobre pessoas? O que sabemos sobre individualidade? O que sabemos sobre nossas capacidades? Como lidamos com o silêncio e com o caos? O quê? Quem? Como? Quando? Onde? Por quê?
Não é a informação em si a chave das mudanças na nossa forma de viver hoje. É a comunicação. Não nos comunicamos como nossos pais, não nos comunicamos sequer como ontem!!
Enfim, Alan,,, gosto quando você escreve! ^^
Beijão!