
Nessa semana ocorreu a eleição para a reitoria da UFV, muito divertida, aliás, como qualquer outra eleição. Eu, particularmente, não votei, principalmente por desconhecer os candidatos, mas também porque não há um real planejamento para a universidade. O que mais ou menos “promete” bem, soa como uma tremenda mentira bem contada.
Mas o que mais me chamou atenção foram as pessoas que trabalharam nas eleições. Quem mora em cidade pequena, a minha tem quase ou pouco mais que seis mil habitantes, sabe que nos tempos da mardita política uma profunda metamorfose ocorre. Como em finais de campeonato, os partidários vestem a camisa, berram palavras de ordem, cantam jingles dantescos e colocam seus carros, motos, bicicletas, monociclos e carrinhos de mão, creiam vocês ou não, eu já vi, todos eles devidamente adesivados, em fila pelas ruas nas famosas carreatas, uma poluição sonora e visual, que em minha opinião nada diz. Enfim, um saco…
Esse jogo de interesses chega a separar famílias e amigos, todos, diretamente ou não, estão presos numa teia clientelar perigosa. É preciso cuidar do leitinho das crianças, por tanto não acho que seja possível condenar ninguém, ainda que certas atitudes ofendam nossa moral, o comum mesmo é não ofender quando se trata de matar ou morrer.
E curioso, não é essa demonstração de “amor e fidelidade” que elege um ou outro businessman, mas sim a massa desinteressada. Acontece que a panfletagem é alma do negócio, quem não dispõe de televisão e não corre atrás de um candidato para votar, se vê na obrigação de pegar aquele santinho incômodo que vez ou outra traz as propostas do tal sujeito, mas se não tiver isso, serve a cara mesmo, se for amigável, ganha a simpatia do eleitor desavisado. Talvez se não fôssemos obrigados a votar a população politicamente ativa teria mais chance de ser realmente ativa, mesmo que no caso do Brasil, falar em politicamente ativo seja algo um tanto quanto duvidoso.
Daí o bom dotô da foto se elege e me vem o desdentado reclamar que não tem médico no posto de saúde que ele tanto precisa, já que a dentadura que o Dr. Fulano, então candidato e agora prefeito, lhe deu, não gruda em sua boca. E pior, o pobre diabo, numa análise lógica, não pode reclamar de nada, afinal, foi ele quem vendeu seu voto. Sinceramente? Quase que dá saudade dos coroné;
Eu já sou um pouco pessimista, tem gente que dá o voto de graça, eu venderia o meu para todos os candidatos, a todos os cargos, e terminaria votando em branco.
É jeitinho brasileiro? É sim, muito obrigado.
Plágio é crime e está previsto no artigo 184 do código penal. Conheça a Lei 9610














