Não tenho mais idade para acreditar que o senhor exista, mas tampouco cheguei a perder toda a esperança. Ora, veja bem, sou cético e um tanto quanto magoado com as falsidades do mundo, mas, ainda sou capaz de pensar que certas coisas são melhores como inverdades.
Aqui em casa todo mundo é folgado, incluso a persona non grata que vos fala. Então, hoje foi minha vez de dar conta da pia, ou pandemônio de panelas, pratos e coisinhas molengas, que se um dia tiveram nome, foi há muito tempo atrás. Enfim, cotidiano.
Particularmente eu gosto.
A garota baixou a guarda finalmente, o sono e o edredom úmido não foram mais desculpas suficiente. O cabelo desarrumado sorria rebelde à sua dona no espelho. Seu não tão bom humor esvaía progressivamente. “Acontece!”, ela parou pra pensar. E acontecia mesmo, todas as manhãs, todas as frívolas manhas. Morria uma três ou quatro vezes para acordar…















