Nós, jovens, matamos a juventude. Matamos a pura essência da etapa que deveria nos formar e não, como é agora, limitar. Somos sombras pálidas de um fogo que deveria arder intensamente – e até insanamente – em nossas vidas, mas que se cala brando e conformado em seu cotidiano.
Não tenho mais idade para acreditar que o senhor exista, mas tampouco cheguei a perder toda a esperança. Ora, veja bem, sou cético e um tanto quanto magoado com as falsidades do mundo, mas, ainda sou capaz de pensar que certas coisas são melhores como inverdades.
Manoela herdou da mãe, Dona Zinha, senhora muito altiva e tradicional, um baú com seus pertences mais pessoais. A casa, e todas as outras coisas, ficaram para o irmão, filho julgado por ela o preferido. Quando foi buscar a dita herança, um dia após o acontecido, encontrou Dinha, a cuidadora, com seu grande rosto anormalmente vermelho e inchado.
Aqui em casa todo mundo é folgado, incluso a persona non grata que vos fala. Então, hoje foi minha vez de dar conta da pia, ou pandemônio de panelas, pratos e coisinhas molengas, que se um dia tiveram nome, foi há muito tempo atrás. Enfim, cotidiano.
Particularmente eu gosto.
Eu já.
E você?
Uma garota bonitinha;
Muita paciência;
Genialidade.
A garota baixou a guarda finalmente, o sono e o edredom úmido não foram mais desculpas suficiente. O cabelo desarrumado sorria rebelde à sua dona no espelho. Seu não tão bom humor esvaía progressivamente. “Acontece!”, ela parou pra pensar. E acontecia mesmo, todas as manhãs, todas as frívolas manhas. Morria uma três ou quatro vezes para acordar…
Não julguem o livro pela capa. Apesar da foto aí do lado ser bonitinha, e eu diria até clássica, Koi Kaze está longe de ser mais um anime romântico; alguns diriam que ele é indigesto. Sim, meus caros, indigesto. Mas até que eu chegue na parte indigesta da coisa vou fazer uma apresentação superficial e deixar que vocês mesmo se surpreendam.



















